domingo, 28 de junho de 2009

Entrevista

Oi pessoal! Um post gigante hoje – depois de tanto tempo esperando um desses. Alguém? :-P

Hoje entrevistei Gleydson Macedo, um desses caras que tinham “tudo na vida” e “de repente” largaram todo aquele conforto pra vir pro Canadá. Em virtude dos 2 anos (e qualquer coisa) que ele e sua adorada esposa já desfrutam de residência no Gigante do Norte, resolvi dar uma de entrevistador.

Ele recebeu nossa equipe em uma dessas tardes mais que ensolaradas em seu apartamento que fica muito bem localizado na cidade de Vancouver. “Aqui a gente não tem que se preocupar; conveniência é o nome do jogo.”, diz. E é bem verdade que em 15-20 minutos de caminhada pode-se encontrar restaurantes diversos (com preços igualmente diversos), farmácias, mercadinhos bem parecidos com aquelas vendas de posto de gasolina brasileiras, padaria, hospital, praia, etc. “Cara, o que mais eu posso querer em termos de localização?”, mais uma vez ele complementa quando dou uma espiada na sacada pra ver o sol estatelando na lateral do prédio.

Falamos dos mais diversos assuntos, mas é claro que procurei focar a atenção na (nem tão nova) vida canadense e todas as suas cores como segue.

Operação Canadá – Pois é Gleydson... Já vou começar com uma expressão bem mineira pra gente se ambientar... [Risos.]

Gleydson Macedo – Pois é... [Risos.] Esse nosso “pois é” é tão intraduzível (sic) quanto o “uai”. Como é que você explica um começo de frase com uma dessas.

Operação Canadá – [Risos.] É verdade. Mas vamos começar então com uma bem fácil. Quem é o Gleydson. Dá um resuminho aí pra nós...

Gleydson Macedo – Fácil?!? Zuô! [Risos.] Falar da gente mesmo é sempre complicado... Hmmm... Bom, como costumo resumir pros amigos: sou brasiliense, filho de cearense e mineira, criado no interior das Minas Gerais [Patos de Minas], torcedor do Flamengo, casado com uma gaúcha e que já teve residência no Rio, São Paulo e Porto Alegre.

OC – Bota resumido nisso! Mas dá uma linha temporal só pra ter uma noção...

GM – Meus pais se mudaram pra Capital da Esperança no começo da década de 70...

OC – (interrompendo) Peraí... Não precisa voltar tanto assim também...

GM – Sem problemas... A menos que você não queira MES-MO! [Risos.]

OC – Não, não... Manda bala.

GM – ‘Tá... Então voltando... Os “véio” se toparam lá pelo Plano Piloto da vida e dei um jeito de nascer em 75; meu irmão veio em 80 e em 84 eles decidiram ir de mala e cuia pra cidade da minha mãe, Patos de Minas. Eles compraram um boteco lá no centro da cidade – o Bar do Macedo – e por lá eu fiquei até meus 19 anos, quando passei no vestibular pra Ciência da Computação em Uberlândia [UFU]. Isso era 1995. Lá convivi com os que são hoje alguns dos meus melhores amigos. República, tal. Sabe como é, né?

OC – Acho que sei sim. Eu mesmo morei em uma no mesmo período.

GM – Finalzinho de 1998 comecei a namorar com a Sílvia e logo após me formei; em 2000 comecei umas andanças pelo Brasil por causa do trabalho, morando pouco mais de 1 ano no Rio. Nesse meio tempo também meus pais se divorciaram e ganhei outros dois irmãos do segundo casamento do meu pai. Casamos em 2002, nos mudando logo em seguida pra São Paulo (onde já estava instalado), lugar que moramos 2 anos e pouco. O último posto foi em Porto Alegre, 2004, pra então em 2007 virmos – acho – pra nossa morada mais duradoura. [Risos.]

OC – É... Sei não... Uma vez nômade...

GM – Isso é uma coisa que nós aqui em casa sempre trazemos à tona de tempos em tempos; nada mais prende a gente a lugar algum, sabe... Não vejo razão nenhuma pra simplesmente deixar esse espírito de lado...

OC – Olhando ali pela sua janela eu vejo algumas delas (aponto uns pedacinhos de montanha que despontam no meio dos prédios)

GM – Esse lugar é especial demais, putz... Por isso é que digo que essa deve ser a nossa estadia por muito mais tempo que as outras. Espero! Ou não! [Risos.]

OC – Eu concordo contigo nesse ponto, de manter o sangue correndo na veia nômade. Mas chega uma hora que acho que faz mais sentido fincar raízes, sei lá, pertencer a um lugar.

GM – Sim, sim. Faz todo o sentido. Entendo e respeito que existem pessoas que se sentem mais apegadas em maior ou menor grau a uma cidade, comunidade, etc.

OC – Aí veio então 2007, né? Como é que surgiu essa de vir pro Canadá? Sei que já devem ter te perguntado isso umas 2.000 vezes, mas quero um registro aqui. [Risos.]

GM – Outro? [Risos.] Só espero que seus leitores não morram de tédio. [Risos.] A idéia... Cara... Isso vem de longe, muito tempo mesmo; eu sempre fui um cara muito curioso com o mundo, sempre tive essa comichão de um dia morar fora, sabe, aquelas de intercambista...

OC – Sim, a maioria adolescente, estudante de inglês...

GM – É... Eu não tive essa oportunidade. Viajar pra longe assim no Brasil ainda é uma atividade pra lá de cara... Vixe... Nem imagino uma coisa dessas com meus 14-15 anos de idade. Praticamente impossível.

OC – Mas e a comichão...

GM – Ahhh... Juntou dois desses que não puderam ter a tal da experiência no exterior e deu no que deu. Oficialmente falando, começamos a botar a coisa pra andar já pouco antes da mudança pra Porto Alegre [2004].

OC – Vocês então já estavam com a cabeça feita que iriam pro Canadá desde então?

GM – Exato. A mudança pra Porto Alegre veio a calhar em vários sentidos, mas funcionou principalmente no econômico. O trabalho já ‘tava começando a faltar na minha consultoria e acabamos por guardar uma soma interessante pra reiniciar nossa vida fora do país. Você bem deve se lembrar das privações...

OC – [Risos.] Ô se lembro!

GM – Nada de renovar mobília, aluguéis caros e etc. Não era uma PRIVAÇÃÃÃÃÃO, se você me entende, mas deixamos de fazer bastante coisa mirando o grande passo. Levamos uma vida bem regrada para os padrões. Foi muito bom mesmo pra chegar aqui em uma situação confortável.

OC – Papelada, preparação, espera...

GM – Sim cara. Tudo isso foi deveras iniciado em 2005, mais ou menos pro fim do ano. Ficou tudo pronto no fim de 2006.

OC – Que conselho você dá pros que estão entrando nessa agora?

GM – Paciência. Muita!!! [Risos.] Muito óbvio o que vou falar, mas cada processo é diferente um do outro. Uns demoram mais, outros menos...

OC – Vocês deram sorte, né? 13-14 meses pra sair o visto?

GM – Por aí. Não digo “sorte”, porque só acho que era uma outra situação, outro ano, outras condições...

OC – Fiquei sabendo mesmo que eles deram uma apertada no processo, confere?

GM – Não sei te dizer dos detalhes. O que me contaram é que removeram algumas profissões daquela lista [NOC], acrescentaram outras. ‘Tamo aí no meio dessa revirada econômica e o nome do processo já diz tudo, né? “Skilled Worker”. Só estão adaptando pra falta atual de profissionais. Acho que é normal isso.

OC – Eu também. Não faz muito sentido favorecer profissões que realmente não precisam de gente no momento; só vai acabar deixando mais gente fora do mercado.

GM – Daqui a pouco melhora, pode esperar. Do mesmo jeito que desce, sobe. Vai é faltar gente pra tanta demanda em algum tempo.

OC – Já que a tocamos nessa de economia, como é que ‘tá a tua empresa [Creation Technologies]?

GM – Não vou te dizer que ‘tá invulnerável, muito pelo contrário. Os que sofreram a primeira porrada foram os temporários e aqueles que trabalham com contrato por hora. Claro que não foi todo mundo pra rua, mas cortaram umas cabeças.

OC – Infelizmente é isso que traz o benefício mais imediato...

GM – Sim, sim... Você pode ver que é a primeira coisa que acontece. Mas, enfim... No fim das contas estão dando alguns dias pra nós não-remunerados pra salvar uma grana. No meu ponto de vista é melhor que cortar salário, porque você nunca sabe se vão voltar com o teu valor depois que passar o furacão. E você acaba aproveitando esse dia pra fazer as suas coisas.

OC – ÔÔÔ!!! Não tenho dúvida nenhuma que é uma solução interessante...

GM – E o pessoal das plantas ‘tá fazendo isso já desde janeiro. Em algumas é uma vez por semana, outras uma a cada quinze dias.

OC – Esse seu atual emprego você teve que passar um bocado pra arrumar, não foi?

GM – É... Já vai pra quase 2 anos [outubro 2007].

OC – E a que você deve esse perrengue todo na época?

GM – Bom, uma série de fatores. Primeiro eu já havia sido entrevistado para uma mesma vaga por 4 pessoas; pensei que essa estaria no papo. Detalhe é que 2 destas entrevistas foram feitas ainda no Brasil. Nem precisa completar que não deu certo, né? [Risos.] Por causa dessa vaga, fiquei em “modo de espera” por uns 2-3 meses; isso já era começo de junho ou coisa parecida. Só aí fui participar daqueles cursos pra se arrumar emprego e ajustar então o meu currículo para as diversas facetas do mercado canadense. Segundo fator foi que comecei a busca no verão. [Risos.] Quem é que trabalha no verão por essas bandas? A maioria do pessoal deixa pra tirar férias nesse período – inclua na “maioria” os tomadores de decisões das empresas. O terceiro – e último, acho – é que a minha área na costa oeste é microscópica se compararmos com a costa leste. Seria como São Paulo e o resto do Brasil pra TI e correlatos.

OC – Mas você já estava ciente disso?

GM – Mais ou menos. Tinha certeza absoluta que a coisa se concentra em Toronto, mas não tinha idéia que do lado de Vancouver eram tão restritas minhas possibilidades.

OC – Mas porque então vocês não se pirulitaram pra Toronto? Digo, antes de virem pra cá e sabendo que é lá a mina...

GM – Olha, depois desse tempo todo sem emprego na área chegamos a cogitar várias mudanças, inclusive pra lá. Mas como já tínhamos uma experiência paulistana, digo, com relação à cidades enormes, resolvemos apostar nossas fichas em uma cidade menor, mas sossegada. Sei que Vancouver não é tão miudinha assim, mas é praticamente 3 vezes menor que Toronto. Apareceram na época também algumas coisas pra Calgary. Sim, sim, continuamos firmes na aposta.

OC – É um sinal que vocês se prepararam bem financeiramente pra suportar essa eventualidade...

GM – É. Como já mencionei antes, fizemos por onde e viemos preparados pra bastante tempo. Ahhh... Outra coisa que foi decisiva é que a Sílvia acabou arrumando um emprego legalzão logo com 3 meses de Canadá. Contra todas as estatísticas, eu que teoricamente teria uma certa facilidade por ser da área de informática, a patroa foi lá e abocanhou uma vaga até bem relacionada com a profissão dela [advogada] no Brasil.

OC – Muito bom, né? Deve ter sido um alívio absurdo pra vocês.

GM – Bota alívio nisso! Ela já havia garantido a nossa permanência. Foi bom demais pra ser verdade. Ela trabalhou como assistente jurídica em um escritório de imigração.

OC – E a Sílvia pensa em de repente voltar a assumir uma posição na área?

GM – Pensar ela pensa sim. Isso é assunto pra vários debates em casa. Antes de tudo é um desafio; o curso de Direito que ela tem só é reconhecido como um bacharelado “simples” no Canadá; o sistema deles é diferente. Você primeiro faz um curso comum a várias áreas que dura 4 anos pra aí então ingressar na faculdade de Direito, que são mais 3 anos.

OC – Então ela faria toda essa segunda parte do curso?

GM – Isso mesmo. 3 anos mais de banco de escola, mais 1 ano e pouco de estágios e coisas do gênero. Não é mole não, viu cara! Seria mais ou menos como um “Mestrado” mesmo. Por isso ela está ponderando bastante antes de encarar mais uma maratona desse naipe.

OC – Saindo um pouco desse papo de emprego, vamos a umas questões mais básicas. Qual seria o principal motivo que trouxe vocês pra fora do Brasil?

GM – [Risos.] Lá vem de novo... Espero que quem leia isso não morra de tédio. O principal motivo? Segurança cara. O que costumo dizer pra todo mundo é isso: segurança. Mas não somente aquela segurança relacionada ao dia-a-dia, da violência, mas como um conceito mesmo; segurança social no sentido mais amplo da coisa.

OC – Muitas das pessoas que fazem essa mudança tem como principal motivo é essa mesmo relacionada à violência... Vocês têm alguma má experiência nesse sentido e que poderia ter catalisado o processo?

GM – Te digo que graças a Deus nunca me aconteceu nada. Passei um ano no Rio de Janeiro, três em São Paulo, mas dois e pouco em Porto Alegre, pra citar cidades grandes e com altos índices de violência. A Sílvia foi assaltada em São Paulo uma vez sim, mas não foi dos mais traumatizantes comparando-se a outras coisas escabrosas que a gente escuta. Eu diria que não teríamos algo nesse sentido pra apontar. Só aquela tensão diária mesmo que leva a gente a viver em redomas no Brasil.

OC – O que você apontaria como principal diferença entre Canadá e Brasil nesse sentido?

GM – Fica muito difícil apontar uma só... Como principal... Hmmm... Relacionando à questão anterior, no Canadá não acontecem muitos crimes contra as pessoas, sabe, estilo assalto à mão armada, ou o sujeito te abordando no sinal de trânsito... É claro que tem um ou outro caso, mas quando se fala de crime aqui, pense em gente dando cano em banco ou o viciado em drogas entrando em uma casa quando não tem gente dentro pra roubar um aparelho de DVD pra matar uma pedrinha de crack mais tarde. Ahhh! E tem também roubo de carro praticamente pelos mesmos motivos.

OC – Simplesmente não dá pra comparar...

GM – É até covardia! E o detalhe é que Vancouver é a cidade mais violenta do país!!! [Risos.] No começo desse ano [2009] ‘tava rolando uma guerrinha de gangues, então rolaram algumas execuções, coisa encomendada mesmo. Droga cara! Esse eu acho que é o maior mal desse lugar; é gente usando, traficando, coisa pesada. Em 2007 eles enjaularam um sujeito que tinha um esquema monstro de lavagem de dinheiro e tráfico internacional. Vancouver servia de lavanderia pra coisa que vinha da Austrália e da China. Daí você tira suas conclusões sobre mercado imobiliário, por exemplo.

OC – É... Essa lavanderia acaba inflacionando esse tipo de coisa.

GM – Nem me fale. É claro que esse não é o principal fator, mas que ajuda, ajuda!

OC – E uma diferença agora nem tanto relacionada à violência?

GM – O Canadá tem uma camada de classe média real muito grande. Existem os ricões? Sempre! Existe pobreza? Também. Mas o que não existe é a miséria. Essa sim é a que corrói nosso Brasilzão. O “pobre” canadense é o gajo que tem um carrinho velho, mora afastado e não viaja nas férias todos os anos. Você deve ter notado a quantidade de sem-teto que temos em Vancouver, né?

OC – Vi sim, nossa. ‘Tá muito escancarado e a gente não imagina encontrar coisa desse tipo em país dito de primeiro mundo.

GM – É cara... Esses aí são as exceções das exceções! A maioria ‘tá ali por problema mental, problema com droga ou por problema mental causado por droga. Boa parte deles vive do “welfare” [mesada do sistema previdenciário]. Seriam classificados como miseráveis? Talvez sim, mas miserável no Brasil tem bem menos chances que esses daqui. E em termos de números não dá pra comparar. E já que você mencionou “esse tipo de coisa em país de primeiro mundo”, o problema é ainda mais cabeludo nos Estados Unidos. Vi um filme um dia desses chamado “O Solista” (depois você coloca o endereço do IMDb, por favor) que ilustra bem esse problema. Só em Los Angeles existem 90.000 pessoas morando nas ruas.

OC – UAU! E a gente achando que isso é “privilégio” de países pobres...

GM – Esse tipo de coisa eles não noticiam, mas ‘tá lá a ferida aberta pra quem quiser ver.

OC – Acho que um dos maiores “medos” do pessoal em geral, especialmente os brasileiros com que conversei é o medo do frio. O que você me diz?

GM – Eita... Esse é mesmo. Absolutamente TODO MUNDO pergunta a respeito dessa. Só que dessa vez eu vou te sacanear e pedir mais uma vez que você inclua o endereço da postagem que fala disso pra eu não ficar chovendo no molhado.

OC – ‘Tá bom então. [Risos.] ‘Tá aqui, ó. Passando pra outra das básicas: vocês sofrem algum tipo de preconceito?

GM – E você chama isso de básico? [Risos.] Não digo preconceito naquela acepção mais terrível da palavra, mas eu diria que existe um “tratamento diferenciado” de certas pessoas.

OC – Mas isso não é preconceito?

GM – Pelo menos pra nós é uma coisa mais leve, nada de escalas abruptas de isolamento ou até mesmo gente evitando a gente. Isso que te falo é mais de observação em algumas atitudes, olhares, jeitos de se dirigir às pessoas... Eu só acho uma sacanagem é que existem poucos canadenses natos que sejam de 3, 4, 5 gerações genuinamente “nativos”. O país é muito, mas muito jovem mesmo. O Brasil devia ser assim na primeira metade do século 20, quando aportaram muitas levas de imigrantes. Imagina só o brasileiro daquela época lidando com pessoas diferentes, que provavelmente nem sabiam que se falava português no seu destino. Estamos falando de um caso bem diferente, é verdade, mas ainda tem muitos que chegam e inglês que é bom, nada.

OC – Mas você também não acha que isso é um pouco de culpa do próprio imigrante?

GM – Não tenho dúvidas disso! Não digo “culpa”, mas sim falta de interesse. Imagina você chegando em um lugar novo, coisas novas, língua nova, costumes novos, enfim, uma novidade completa; é um tremendo desperdício você não fazer parte disso! Abandonar suas tradições? Nada disso, mas sim absorver e procurar fazer parte. Pega um caso: imagina só um albanês imigrando pra Finlândia... Se o cara não se envolver pra pelo menos aprender o idioma, você acha que o nível de frustração dele depois de um tempo vai ser de que tamanho?

OC – É óbvio que você pegou um caso extremo, mas eu concordo contigo.

GM – Não diria extremo, mas possível. [Risos.] Aprender a língua sim é de extrema importância.

OC – Mas tem aquele caso também que o país já tem uma comunidade bem instalada da nacionalidade do seu “albanês”...

GM – É aí que eu verifico o total desperdício da experiência. O albanês chega na comunidade dele e ali fica; não quer saber do finlandês, não quer falar a língua... Aí acho que entra um pouco daquela veia preconceituosa com uma pitada de desconfiança dos finlandeses. “Porque é que o cara que vem pra minha casa não quer nem fazer de conta que esse país é diferente?” A minha opinião é que isso gera tensões desnecessárias e guetos. Claro que é legal ir no bairro italiano, no festival grego, na semana hindu. O que não deve acontecer é o isolamento desse pessoal do “resto” da comunidade. Como disse uma amiga blogueira uma vez, tem imigrante que adota o Canadá como uma versão do seu próprio país melhorada. Não dá. É outra coisa.

OC – Falando em imigrante, vocês têm consciência que os filhos vão perder a brasilidade que vocês trouxeram?

GM – O pior é que sim. Ou o melhor, sei lá. [Risos.] Tenho certeza que vamos nos empenhar ao máximo pra pelo menos preservar o português em casa; na escola já é certo que inglês, francês e/ou mandarim vai ser o cotidiano deles. Pelo menos em casa a língua oficial vai ser a do Brasil.

OC – Mas eu digo “brasilidade” como esse conjuntão de coisas que temos na nossa veia verde-amarela: comida, futebol, música...

GM – Acho que é nosso dever cívico apresentar tudo isso pros bacuris. [Risos.] Agora, se eles vão gostar, seguir ou passar pra frente só vai depender deles mesmo. Tem aquela “regrinha” mais ou menos delineada pra três gerações: os primeiros chegam do país, com toda essa carga do país natal muito entranhada; os filhos vão pelo menos falar a língua e os netos vão só ficar sabendo que os avós eram imigrantes e falavam esquisito. [Risos.]

OC – Você mencionou o francês, mas pelo visto desse lado aqui francês é só pra enfeite, né?

GM – O Canadá ‘tá beeeeeeeeeeeeem longe de ser bilíngue. Esse papo só se aplica à província de New Brunswick. Ouvi falar que lá é 50/50. De resto, francês é no Quebec e fora de lá só nos letreiros das repartições públicas federais. Muito mais gente falando cantonês e mandarim que qualquer outra língua.

OC – Vocês pretendem adotar o “trilinguismo” em casa?

GM – Já estamos investindo nisso. Somos tarados pelo assunto idiomas; começamos nas aulas de francês por puro prazer mesmo. Se isso for revertido pra alguma aplicação prática, ótimo. Se não, estamos criando várias novas ligações nos miolos com mais um idioma. [Risos.]

OC – O meu “em casa” era mais direcionado pros bacuris... [Risos.]

GM – Ahhhh ‘tá... Desculpe. [Risos.] Temos essa ideia de colocar a molecada nas escolas bilíngues sim. Imagina só, três idiomas assim de mão beijada? Já pesquisamos a respeito e ficamos sabendo que pelo visto pelo menos um dos pais tem que falar o troço fluentemente.

OC – Mais um motivo então pra agarrar essas aulas pelo chifre!

GM – Isso, isso... Acho que no nosso caso essa vai ser a “aplicação prática” a que me referi. O bom de criança é isso: eles vão lá e falam, misturando tudo, do jeito deles. A gente é que cria um monte de barreiras e fica cheio de vergonha pra soltar o verbo. Quando eles crescerem, ou vão arrancar os cabelos por isso ou vão até correr atrás de uma quarta língua.

OC – Tem que apostar mesmo. Excelente oportunidade! Podem até virar funcionários públicos federais canadenses.

GM – Com todas as benesses possíveis, se Deus quiser.

OC – Vocês fizeram amigos?

GM – Olha cara, acho que fizemos sim alguns bons amigos. Pessoas que estão na mesma situação de imigrante recém-chegado principalmente.

OC – Brasileiros inclusive?

GM – Sim. Temos bons amigos brasileiros. Nada como compartilhar as maravilhas disso aqui na nossa língua. Parece que não, mas faz falta. Tem dia que o inglês insiste em travar, uma beleza!

OC – Algumas dificuldades que você lembre?

GM – Mais uma vez fomos muito felizes nesse quesito. Estávamos preparados, só faltava jogar na fogueira mesmo. Que eu me lembre, a minha principal dificuldade era o telefone... Putz!!! Tem os termos, as formalidades, os sotaques... Um ou outro filme eu ainda perdia umas frases, mas nada que comprometesse o entendimento do todo.

OC – Quais os sotaques que você apanha ou apanhava?

GM – Australiano, do pessoal do sul dos Estados Unidos, um escocês daqueles bem carregados... Esses eu ainda apanho de montão.

OC – Então no geral vocês se sentem bem confortáveis?

GM – Claro que tem vezes que dá um branco e tem que dar uma volta pra achar um termo, uma frase específica... O que pega agora são os detalhes. Coisas como reações do corpo, pequenos sintomas. Por exemplo, como é que você chega pro médico e diz que “’tá dando uma pontada” ou “’tô sentindo uma fisgadinha”? [Risos.] Certa feita eu fui no supermercado pra procurar batata palha... “É assim, é assado... Pequena, fininha...” [Risos.] Tem hora que a mímica resolve a coisa facilmente. Acho que é até por isso que tinha uma certa dificuldade ao telefone. Já a Sílvia sempre deu baile no inglês. Ela é bem mais desenvolta.

OC – Depois desses dois anos houve uma melhora perceptível?

GM – Nossa!!! Isso foi muito fácil de comprovar. Só de destravar a língua e o ouvido já é um passo gigantesco. Sinto que meu inglês não tem evoluído muito, mas acho que é o pouco contato com pessoas que o tenham como primeiro idioma. Quando você conversa a maioria do tempo só com imigrantes, não aparece tanto desafio, tanta palavra nova. Bom, pelo menos pra mim não. E nem é metideza, é só uma comprovação mesmo. [Risos.]

OC – Resumindo a conversa então, dois anos e qualquer coisa que estão valendo muito a pena?

GM – 100% positivo! Está valendo muito a pena sim. É uma vida muito tranquila. Eu diria com quase zero preocupações com aquelas coisas que infelizmente temos no Brasil. Coisas pequenas como poder andar de carro com os vidros abertos, chegar em casa sem ficar naquela paranóia, saber que o hospital que você usa é exatamente o mesmo que o cara mais pobre e o mais rico usam. Isso é bom demais pra ser verdade. Isso é o verdadeiro socialismo! [Risos.]

OC – Xiii... Lá vem política! [Risos.]

GM – Não, não... Só zoeira mesmo. Eu soltei essa pra um eslovaco uma vez e ele já mandou um “não, não, não... Você não faz ideia do que é socialismo”. [Risos.] Como conceito é bonito de ver, mas a aplicação dele não foi das mais felizes.

OC – Antes então que a conversa tome outros rumos, gostaria de agradecer pelo seu tempo e por ter recebido nossa equipe com toda disposição.

GM – Não foi nada. Eu é que agradeço pela oportunidade. Espero que o blog volte a funcionar como se deve. Vocês demoram tempo demais pra atualizar aquele troço...

OC – Prometo melhorar! Sempre tem uma promessa...

GM – Verdade. Que coisa feia! [Risos.]

OC – Fechando, você aconselharia as pessoas a virem pro Canadá? O que você diria àqueles que estão balançando se entram com o processo de imigração ou não?

GM – Minha resposta é SIM! Venham. Mas venham com vontade de se integrarem, de abrirem a mente pra outros mundos, situações, pessoas, culturas... Dificuldades todo mundo tem em maior ou menor grau. O que pra mim foi complicado, pra outros pode ser fichinha e vice-versa. Você vai ser testado o tempo todo, se deparar com outros pontos de vista que você nem imaginaria que existiam. Como já disse antes, é nascer de novo. Você vai chegar no supermercado e não vai saber quanto em gramas pesa uma onça ou como se diz quiabo em inglês! [Risos.] Seu cérebro vai agradecer pela injeção de grandes novidades. Não diria que exatamente agora é um momento perfeito pra uma mudança por causa dessa economia, mas podem ter certeza que assim que quando começar a curva ascendente vai é faltar gente qualificada pra fazer a roda girar normalmente outra vez. Então, assim que passarem aqueles primeiros meses, talvez até anos, de complicações e adaptação, aí é só se lambuzar. É claro que tem o preço de se largar os familiares e amigos no Verdelindo. Mas sempre tem a internet, a webcam e o telefone pra matar a saudade.

Em tempo, “quiabo” em inglês é “okra”. :-)

Abraços!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Semana do Carcaju

Oi! Que escassez de posts, hein? Até tinha me empolgado um dia desses, mas aí volta aquela coisa do deixa que eu deixo. A boa e velha. :-P

Essa última sexta-feira estreou um dos filmes mais esperados desse 2009, sobre talvez o canadense mais querido do planeta, mais famoso talvez até que a Celine Dion ou que o Michael J. Fox. :-)

O cara nasceu em Alberta já faz um tempinho e saiu por aí defendendo o dele e o do exército do Tio Sam em várias ocasiões. Não vou ficar entregando o filme, mas uma cena que deixou a audiência local toda inchada foi quando Stryker (ex-comandante) resolve pedir uma ajuda e diz pra ele que essa era a melhor forma de defender o país. Dispensando o gajo, fumando o típico charutão, soltou um bom e sonoro:

"I'm Canadian."

Rererererere... Mandou bem o Wolvie.

Uma pena que o filme parou no excesso de expectativa. Talvez seja esse o maior problema. Quem assistiu a "X-Men" e "X-Men 2" vai entender... Não 'tô dizendo que é um filme ruim, mas não passou de um bom filme de ação, longe daqueles 2 primeiros atos dos mutantes no cinema. Tentaram maximizar a quantidade de aparições pra talvez pescar uma ou outra continuação, mas na minha opinião não andou. Já lançaram a idéia de um filme solo do Deadpool. Vamo vê no que dá.

Pra mim foi um desperdício de um excelente personagem e história. O cara compete em popularidade com o Homem-Aranha, o que não é pouca coisa no mundinho da Marvel. Será que não merecia algo com mais "sustança"? Hugh Jackman 'tá impecável, caracterizando com muita fineza o figura, como já vinha fazendo, mas que poderia ter uma veia mais seca, mais instintiva, mais parecida com a do quadrinho isso poderia. Lá no papel quando o bicho range os dentes, sai de baixo. Faltou mais essa pimentinha na película. Tem que manter a bendita censura baixa... Que saco!

Podem ir ver sim. Escrevi e repito: é um bom filme de ação! Eu mesmo dei um 8/10. O Dentes-de-Sabre finalmente não foi retratado como um ser quase mudo e meio abestalhado; aliás mandou muito bem mesmo o Liev Schreiber, ator dos mais subestimados, mas que tem um cartaz dos melhores com o escrevente aqui.

"Wolverine" é um bicho com o nome estranhamente traduzido pra "carcaju" em português. Ele é célebre por ser mais ou menos do tamanho de um labrador e dar piau em animais muito maiores que ele. 'Tava lendo aqui que existem relatos do trocinho (não quero encontrar um, talvez só no zoológico) encarando até urso. E o pior é que é até bonitinho o danado. Rererererere... Mas ainda assim não quero encarar um!

Endereço do filme no IMDb - "X-Men Origins: Wolverine"
Pra saber mais do carcaju - Hinterland
A foto lá de cima eu tirei daqui - California Academy of Sciences

Ahhh... E falando em cena, nem precisa comentar os comentários e suspiros do público feminino. AFFF!!! Nem tinha a Jean Gray ou a Mística pra contrabalancear. :-(

Abraços!

quarta-feira, 25 de março de 2009

A Cidade do Futebol

Semana passada tivemos uma excelente notícia no que tange as ambições futebolísticas vancouverites: o Vancouver Whitecaps vai para a principal liga da América do Norte em 2011, a MLS.

Fui dar uma olhada e o finado time de Vancouver (com o mesmo nome) foi campeão em 1979 da também finada principal liga dessas redondezas (NASL). Dessa liga participava o poderoso New York Cosmos, aquele que o Pelé jogou. De acordo com essa página, o Whitecaps foi carrasco do time, mas depois que o Pelé parou; nesse campeonato de 1979 eliminou o próprio na semifinal. Não é pouca coisa pra um país que, digamos, não dá muita bola pro esporte bretão. Como disse no post anterior, a ordem é hóquei, depois hóquei e, se der alguma folguinha, aí sim vem o hóquei. :-)))

Outro dado interessante que é o maior público em uma partida de futebol no Canadá foi exatamente um dos Whitecaps em 1983, contra o time de Seattle: pouco mais de 60.000 pessoas no BC Place, que vai voltar a ser a sede da franquia. Hoje eles contam com o modesto Swangard Stadium em Burnaby.

Gostei da notícia! Quem sabe até o meu Mengão vem fazer uns amistosos perto de casa?

Os excertos são do Metronews.

Abraços!

terça-feira, 24 de março de 2009

A Hora da Terra



Oi pessoal! Pra algumas coisas essa tal de globalização funciona e muito bem. Sei que esse papo de "aquecimento global", "salvem o planeta", "cuidem das espécies em extinção", "não botem fogo no resto da Amazônia" já deve estar por aqui em um monte de gente, mas sempre vale a pena lembrar que um pouquinho a mais de consciência não faz mal a ninguém.

Voltando aos benefícios da globalização, em 2007 a cidade de Sydney (Austrália) começou o movimento de apagar TODAS as luzes por uma hora - The Earth Hour. Foram 2 milhões de adesões; já no ano passado a febre pegou e a coisa escalou pra 50 milhões. Sábado que vem você pode engrossar a estatística e fazer parte do 1 bilhão de participações esperadas. Parece pouco? Imagina só 1/6 do mundo com tudo apagado por 1 hora?

Seria puxar o cabo da tomada da China ou da Índia de uma vez só!

Não custa nada, muito pelo contrário, e você acabou de arrumar uma desculpa excelente pra tomar uma cerveja no escuro. ;-)



Sábado, das 20:30 às 21:30. Coloca no calendário aí.

Abraços!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ao Leitor com Carinho

Sim, sim... Uma postagem mensal 'tá feio mesmo. Rererererere... Que coisa. A gente pensa que o troço vai engrenar e vai deixando, deixando, deixando... Uma hora acaba até passando batido nesse cantinho. Relaxo puro!

Bom, vou responder a alguns comentários de tempos idos:

Telma Leite: oi Telma! Tomara que já estejam por aqui desfrutando do melhor do Canadá! Tudo de bom pra vocês!!!

Leonardo Moraes: oi Leonardo! Sim, você me fez uma pergunta e eu não respondi. Sou muito relaxado e assumo! Desculpe. Falando em Fla, hein? AFFF... Não é bom nem ficar cavando muito a esse respeito. Rerererere... Eu sinto falta de ver um joguinho pela TV, sinto mesmo. Eu não jogo bola; ou melhor, jogava mal e porcamente e resolvi não me arriscar demais por causa do meu joelho que não é dos mais confiáveis. Se tem gente que joga bola aqui? Tem demais! A comunidade latina ferve nos campos públicos no verão, claro. Tem um grupo de brasileiros que se reúne pra isso. Agora não espere muito futebol aqui. O primeiro esporte dos caras é hóquei, depois hóquei e aí vem o hóquei! Rererererere...

Carla e Gustavo: oi Carla! Oi Gustavo! Venham mesmo pra Vancouver! Obrigado pela paciência com o blog. E contatem a gente quando chegarem - se é que já não estão por aqui.

Fabiana: oi Fabiana! Obrigado pela paciência e persistência! :-))) Já estamos em março... Já chegaram?

Paulo Mello: oi Paulo! Duplas desculpas pra você! Primeiro, deve estar tudo bem em "Gotham" sim. :-) Dizem que é a melhor cidade do mundo e etc, etc. Nunca fui lá, mas eu ainda fico com Vancouver. Rerererere... Tudo bem por aqui, graças a Deus! E contigo? Vou lá no teu blog deixar um comentário. Quanto àquela brincadeira do blog, ainda 'tá valendo? Como sou relaxado, báááá...

Para a Eliane, a Cau, a Arethusa, pra Ravs e pro meu hermano, obrigado pelas cutucadas eventuais pra gente dar um gás nesse cantinho que fica empoeirado quase que sempre ultimamente. Que feio, que feio...

Abraços a todos os fidelíssimos e pacientes leitores e essa semana fazemos 2 anos de Vancouver. Urrú!!!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Uma curiosidade...

Claro que fica mais que óbvio pelos quadrinhos e filmes do Batman que Gotham City é o "alter ego" de Nova Iorque.

Navegando na livraria que trabalho, confirmei que é um pouco mais que isso:

Além de "Big Apple", esse é um outro apelido da cidade mais amada/odiada dos EUA.

Só dando sequência (sem o trema) à falta de assunto apontada pelo meu maninho. Rererererere...

Em tempo, não li o livro. E se um dia for passar uma temporada em Gotham e quiser saber mais a respeito da história da mesma... Hmmm... Talvez.

Dedos cruzados pro Heath Ledger na entrega dos Oscars.

Abraços!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Oi pessoal! Não sou lá de fazer muita panfletagem, mas gostaria de usar esse espaço para tal hoje.

Bom, você acabou de ver que uma das suas bandas favoritas vai fazer um show na sua cidade... Você já fica ligado pra ver quando é que vão começar a vender os ingressos. Geralmente os shows são anunciados com enorme antecedência e a venda de ingressos, idem.

Chega o dia e a hora de comprar o ingresso. Pânico! Você não consegue entrar na página devido ao número bizarro de acessos (será?)... 1, 2, 3, 4, 5 vezes, ..., 15, 30... Não tem "F5" que dê jeito.

"Consegui! UFA!!!" Consegui ENTRAR na página... Ingresso? Sim, já acabou. Em incríveis 4 minutos os ingressos pro show do AC/DC no ano passado se foram; pouco menos de 10 minutos pro Metallica e assim por diante.

Mas aí vem a idéia brilhante: a própria empresa te dá uma "opção" pra uma outra página onde eles vendem os ingressos (como conseguiram?!?) com "ágio" considerável de "terceiros"... Salgado mesmo!!! Ahhh... O detalhe é que são empresas do mesmo grupo.

Hmmm... Será? :-))) Cara de pau não tem limite mesmo, né? Rererererere... Cambista legalizado e que faz parte da empresa que supostamente vende o ingresso pelo preço normal.

Um sujeito resolveu ir mais fundo e processou a tal da empresa. O Pearl Jam mesmo já saiu no pau com eles uns tempos atrás. A gente também pode fazer a nossa parte. O texto completo da agência Reuters você lê aqui.

Lembram quando o Metallica ficou fulo com o Napster porque 'tavam perdendo dinheiro? Será que eles se importam com o dinheiro dos fãs que gostam de ir aos espetáculos? Escreva pra sua banda, pro fã-clube ou qualquer coisa que o valha; 'tá beirando o ridículo isso.

Boicote a banda e os "meios" que ela usa pra vender ingressos caso ela não esteja agindo honestamente. Se doer no bolso, alguma coisa deve acontecer.

Abraços!

P.S.: a tradução do verbo em inglês é "escalpelar" mesmo. E os cambistas são carinhosamente conhecidos por "scalpers". :-)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Leitura Diária



Momento nerd. ;-)

Abraços!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Fotos (?) Curiosas (parte 13)

Procrastinar: transferir para outro dia ou deixar para depois; adiar, delongar, postergar, protrair.

Populamente conhecido como "empurrar com a barriga" mesmo. Rererererere...

Essa é a palavra da semana pra nós... Porque será que a gente demora tanto pra fazer as coisas mais miúdas, mesmo sabendo que dá um alívio danado quando a gente conclui a tarefa? Enfim, aproveitando pra não esfriar a vontade de não procrastinar, umazinha pra começar o 2009 (já???) blogal.

A foto/matéria é do jornal 24 Hours de Vancouver. Pra quem quiser ver na fonte, 'tá na página 4.

E pra quem não captou, teve um incêndio no prédio da foto... Mas o melhor, claro, é o nome do estabelecimento... AFFF... :-) Vai ter o nome a calhar assim lá na (...) Rerererererere...

Pelo visto não teve nenhum ferido, graças a Deus.

Abraços!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Só pra marcar território

Oi pessoal,
A gente anda sumido pra caramba. Vou colocar uma fotinho do aniver do Gleydin só pra marcar território.
Beijos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Pequeno Balanço de Viagem

Faz tempo que não apareço por aqui, deixei tudo por conta do Gleydin.

Hoje resolvi falar um pouco da minha viagem ao Brasil. Mês passado tive a oportunidade de passar 5 semanas no Brasil, com esta experiência percebi o quão adaptada eu já estou a este frio do norte.

Pra começar demorou mais de uma semana para eu me readaptar a comida brasileira. Aos fãs da culinária da terrinha minhas desculpas, mas que comida forte. É gostosa, não tenho dúvida, mas como eu sou uma gaúcha que não gosta muito de carne, detesta gordura animal, não tempera salada nem com sal, e bebe café e chá açúcar... é forte pra caramba! Comi muito pão-de-queijo e pastel, mas senti desejo de comer "scone", "muffin", comida tailandesa, indiana, dim sum. Sem falar que (isto vai soar estranho) senti falta da maneira de cozinhar da Costa Oeste, tudo quase crú. Aprendi a comer brocoli crú em Vancouver.

Aceitação... acho que esta é a coisa que mais aprecio em Vancouver. Existe sim preconceito, como em todo o lugar. Mas o preconceito no Brasil é assustador. Tudo é notado e comentado, se você não se enquadra em um padrão pré-estabelecido já é rotulado.

Em Vancouver as pessoas podem usar cabelo azul, piercings, tatuagens, chapeu, calça por baixo de vestido, saia social com a meia pelo joelho aparecendo, e penteados diversos que no máximo vão ganhar uma olhadinha de canto de olho.

Até meus cabelos cacheados são bem aceitos, as pessoas não ficam me sugerindo fazer chapinha toda hora. Durante estas 5 semanas no Brasil, seis pessoas me perguntaram porque eu não faço escova definitiva. É tão difícil entender que eu gosto...

Sinto que aqui em Vancouver a individualidade é mais respeitada. Me chamem de individualista mas eu adoro isto!

Quanto a ser mais feliz ou não em Vancouver... vou deixar vocês com uma coisa que aprendi antes de mudar para o Canadá. "Não importa pra onde você mude; você sempre tem que se levar junto."

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Abandonado...

Que feio... Já deve ter lei pra "abandono de blog" tramitando em algum lugar. :-P

Já já novidades... Outubro cheio de idas e vindas, mudança, ...

Daqui a pouco voltaremos com a programação "normal".

Abraços!

sábado, 4 de outubro de 2008

Eleições 2008

É... 'Tá rolando pra todo lado! Brasil (domingo chegando, tenho que justificar falando nisso), Canadá e, é claro, a maior vedete de todas: a do Tio Sam.

Essa 'tá ofuscando tudo quanto é assunto, ainda mais quando vem acompanhada dessa "crisezinha" de 1 trilhão de dólares. Não sei onde isso vai parar, mas uma tirinha do Bob Krieger publicada no The Province essa semana ilustrou com maestria todo o frenesi da corrida dos 50 estados daqui do sul:

A mais pura verdade!!! :-)))

Aproveitando pra deixar a melhor a respeito do assunto, vindo direto de Springfield:

Abraços!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

2 notícias que todo mundo gostaria de ver

Oi pessoal! Passada rápida pra despejar 2 coisas bem interessantes veiculadas essa semana.

A primeira é a criação de uma "lista-não-me-ligue", onde quem assinar a tal da lista não vai mais ser incomodado pelos temíveis call centres (no Canadá se escreve "centre" e não "center"). Se funcionar, reza a lenda que de 60 a 70% da população deve assinar a tal lista.

Não seria uma boa? Muitos empregos vão pelo ralo? Acho que não, porque na verdade o que querem conter é o cara ligar na tua casa; quando você liga, aí 'tá valendo.

A segunda é que o Primeiro Ministro da província 'tá fechando (ISSO MESMO!!!) as praças de pedágio de uma das rodovias daqui - a gente pagou 10 doletas quando fomos pra Kelowna. Claro que soou como medida eleitoreira, mas qualquer coisa que se faça em época de eleição não vira "uso da máquina"?

Não seria uma boa? Rererererere... Mandar essa pro Excelentíssimo Senhor Governador do Estado de São Paulo. Em 2001 entre São Paulo e Uberlândia eram 7 cobranças... Hoje são 10! Uma beleza.

Abraços!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Se não for a principal...

Essa é - eu acho - uma das maiores motivações pra vir parar aqui no Canadá: segurança! Olha só o excerto que tirei do jornal um dia desses:

O texto diz que a criminalidade é a mais baixa dos últimos 30 anos! Rererererere...

O troço já é quase imperceptível, comparando com os níveis que estamos acostumados nas grandes cidades brasileiras, e ficou ainda melhor... PUTZ!!!

Em contraste, recebi essa por e-mail um dia desses de um camarada:

Não quero dizer que aqui não acontece nada, que não precisa tomar cuidado. Claro que sim, aqui também não é uma estância paradisíaca... Acontecem coisas por essas bandas de cá, mas simplesmente não dá pra comparar. Crimes em sua maioria são contra propriedade; assalto à mão armada, por exemplo, sai no noticiário nacional!!! Acho que 'taí a grande diferença.

Abraços!

domingo, 14 de setembro de 2008

Futebol? Tem sim senhor!

Rerererere... Mas não é pra empolgar muito não; essa é uma coisa que sinto uma puta falta do Brasil: joguinhos às quartas e domingos. Ainda mais agora com meu Mengão lutando na parte de cima da tabela.

Mês passado fomos ver os Vancouver Whitecaps FC contra o Portland Timbers. Eles jogam o equivalente a uma 2a divisão por essas bandas, já que a liga endinheirada é a MLS - a do Whitecaps é a USL.

A coisa aqui funciona um "pouquinho" diferente do Brasil, com os clubes mesmo se organizando e correndo atrás de tudo, como na NBA, NFL e correlatos; nada de cartolagem e de CBF. No Brasil houve uma tentativa dessas em 1987 e 1988 com a Copa União. No fim das contas o Clube dos 13 abriu as pernas e tudo voltou pra CBF. Pelo menos agora a coisa parece que se estabilizou, com campeonato decente de pontos corridos. Uns acham sem graça "porque não tem final", mas eu prefiro assim, que sempre o time mais regular é premiado.

Voltando, o Whitecaps está na captura de uma parceria pra ver se ingressa na MLS daqui uns 2 anos... Ouvi dizer que é uma $$$ infinita pra poder chegar lá. Tomara que consigam e levantem o futebol por essas bandas, porque vou dizer pra vocês: primeiro esporte aqui é o hóquei no gelo; aí o 2o é hóquei no gelo, depois, coladinho hóquei no gelo. :-))) Então temos futebol americano, luta livre (aquelas do PPV, "Ultimate Fighting"), curling, lacrosse e aí, quem sabe, vem o soccer. 'Tá certo que italiano chama futebol de "calcio", mas chamar "football" de "soccer" é só aqui mesmo. E aquele que eles jogam 98% do tempo com as mãos eles chamam de "football".

Claro que em bom português o correto seria "bolapédio", mas isso é outra história. :-)

Olhaí o campo... O estádio é bem "franzino", digamos assim. Lembra até o Mangueirão lá de Patos de Minas. Rererererere:

Olha só o placar... Não é dos mais humildes? :-)

Panorâmica da cobertura:

Óia nóis aí - detalhe é que a patroa 'tava com uma dor nas costas danada, mas mesmo assim encarou mais esse programa indígena comigo:

Esse aí é o mascote, o Winger. Quando tem gol do Vancouver (claro!!!), ele dá um peixinho naquela faixa estirada. Fiquei com inveja! Rerererere...


Trouxemos sorte pro time da casa, que de virada meteu 2x1; aliás eles terminaram a temporada regular ontem em 2o lugar:

Olha o boné do rapaz que 'tava sentado na nossa frente... Paixão mundial! ;-)

O mais legal é que você vê famílias e mais famílias apreciando o jogo, com a molecada de todas as idades. Com lugar marcado e tudo, muito bacana mesmo. Que venham os play-offs!

Apesar do baque desse fim de semana: MEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENNNNNNGO!!!

Abraços!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

George Orwell já dizia...

Na década de 40 George Orwell escreveu "1984", um livraço que critica o autoritarismo, principalmente devido ao começo da guerra fria. Ele errou um pouco (será?) o ano dos acontecimentos, mas foi de lá que surgiu a expressão "big brother" que acabou sendo associada ao tal show de televisão; vigilância constante é o que prega o conceito.

Tenho andado bastante e reparado na quantidade de aparatos espalhados praticamente em todos os blocos perto de onde moramos. Pra falar a verdade acho que a maioria deve ser só pra intimidar mesmo. Enfim, estão lá.

Robson com Burrard, esquina nordeste (já acostumei com as referências desse tipo. Rerererere...):

Você gosta de ser vigiado? Se sente mais seguro assim? Será que eles se sentem mais seguros? Mal necessário? Desvantagens das previsões do Orwell 24 anos depois?

Abraços!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Fotos Curiosas (parte 12)

Na rodovia saindo de Kelowna, um anúncio que não poderia ser mais direto:

Para os não entendedores: "conforto para as bolas dele". :-)

O site pra quem quiser conferir - Saxx Apparel

Abraços!

sábado, 30 de agosto de 2008

Um daqueles!!!


Cara: vê se não fica só na vontade e vem pra cá logo. Você pediu lá no comentário pra mandar um abraço, então 'tô mandando um daqueles quebra-costela.

A gente tem essa mania de não mandar "abraço" pras pessoas mais próximas porque acha que elas já se sentem abraçadas sempre. Sei que é relaxo da minha parte, então quero "reparar" a desfeita. ;-)

Um beijo grande no seu coração e só de olhar essas fotos já enchi o olho de água. Saudades gigantescas!

Esse post é especial pro meu maninho! TE AMO cara!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Ao leitor com carinho

Com atrasos consideráveis, algumas "respostas" a comentários e/ou perguntas feitas por vocês.

Para Fernanda Motta: obrigado pela leitura e pela paciência! Você é advogada no Brasil e quer ir pros EUA... Bom, se você quer ser advogada por lá e se for o mesmo processo do Canadá, não tem outro remédio: tem mesmo que voltar pra universidade! O esquema deles é um pouco diferente. Você faz um bacharelado "genérico" e depois se especializa no Direito; o que seria mais ou menos uns 3 anos extras de cadeira. Depois disso tem que passar por mais ou menos 1 ano de estágio obrigatório, o que eles chamam de "articling". Só aí, passado tudo isso, você vai estar apta a fazer o curso da "OAB" local, coisa de 10 semanas, pra depois fazer o teste.

Ser advogado por essas bandas de cá é um pouco mais complicado, não tenha dúvidas disso. Não é porque a gente é imigrante não. O sistema é o mesmo pra cambada toda.

Para Cláudia (Cau): oi Cau! Obrigado pela assiduidade. Você pediu pra contar do aniversário... Hmmm... Nada de muito diferente do que a gente tem no Brasil. Bolinho no trabalho, se você for queridinho da turma, claro (rerererere...); e depois um jantarzinho ou equivalente no nosso caso. No caso do pessoal que vai pra balada, alugam uma limusine e quebram tudo, parando nos principais "antros" da noite. :-))) Acho que não tem lá tanta diferença... Só uma coisa: a nossa musiquinha dos parabéns é muito mais legal!!! :-)

Para Ana Cristina: oi Ana! Não, não sou farmacêutico. Na verdade uma amiga minha dessas blogueiras é que está trabalhando na área em Toronto. Posso perguntar a ela se não se importaria de manter contato contigo. Que tal?

Para Elaine: oi Elaine! Gostei do teu blog. Já 'tá anotado aqui! Quanto ao teu comentário, a sobremesa pode ser um frango de chocolate. :-P

Acho que é só isso por hoje. Aliás a Eliane e o Paulo já estão aportados em Calgary! ÊÊÊ!!! Parabéns pra eles.

Abraços!